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Revista O Pão Nosso de Cada Dia

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18/07/2021 - A SEMENTE NA TERRA - Mc 6,30-34

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É o retorno da missão dos apóstolos que foram enviados dois a dois em missão. Jesus os reúne num lugar deserto para que repousem um pouco. Depois da primeira semeadura (Mc 6,6b-12), ele os conduz ao lugar em que lhes dará o pão. Estes versículos, com efeito, têm a intenção de preparar o leitor para o episódio da multiplicação dos pães para a multidão faminta (Mc 6,34-43).
- Os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado: Como se fosse uma prestação de contas; ou como os servos que, ao final do dia, informam ao patrão as tarefas que realizaram. Jesus ouve o que eles contam. Precisamos imaginar a cena e ver cada dupla narrando o resultado do trabalho missionário.
- “Vinde sozinhos para um lugar deserto, e descansai um pouco”: Jesus e também os Apóstolos são pessoas humanas, sujeitas ao cansaço, merecedoras do descanso, o repouso que restaura as forças. A preocupação de Jesus é com os seus, por isso, quer distanciá-los da multidão. É uma preocupação muito humana de Jesus. O repouso é necessário e indispensável, é o tempo da reflexão e restauração, indispensáveis a todo ser humano, inclusive os operários do Evangelho.
- Foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado: O barco é o meio que permite isolar-se da multidão. O deserto, que não é oásis de delícias, mas êxodo, caminho duro em que se luta pela vida e pela liberdade. Só aí, na intimidade com Jesus, que a solidão do deserto propicia, podemos encontrar o verdadeiro repouso. O lugar deserto seria o porto seguro, porém a multidão vinda de todos os lugares corre para chegar lá também.
- Muitos correram a pé, e chegaram lá antes deles: É interessante notar esta fome e sede da Palavra de Deus; o desejo de ouvir Jesus e estar com ele. A multidão “corre” e consegue chegar antes de Jesus e seus discípulos.
- Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão: A iniciativa é exclusiva de Jesus que vê as multidões e sente compaixão diante da fome das multidões. Comover-se é sentir com as entranhas (verbo splangxnizomai em grego), um sentimento que os evangelistas reservam para Jesus e para Deus. Vendo as multidões, Jesus se comove. Só quem vê, pode se compadecer e então agir para solucionar o problema.
- Porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas: O povo tem fome da Palavra e fome de pão. O sistema religioso e político nega este direito básico ao povo, deixando as multidões desamparadas. Primeiro, Jesus ensina, transmite a palavra. Esta é a primeira mesa. Assim Jesus prepara o povo para a segunda mesa: a mesa do pão.
Jesus, na verdade, é aquele que convoca para o êxodo e convida ao deserto. A sua palavra (Os 2,16-22) e o seu pão (Mc 14,22ss.) constituem a nova lei e o novo maná. A Dei Verbum nos ensina que o povo de Deus se nutre da Mesa da Palavra e da Mesa do Pão (DV 21). Os discípulos, chamados para estarem com ele e serem por ele enviados (Mc 3,13-19), vão se tornando uma comunidade que faz dele o centro do próprio agir, do próprio pensar e do próprio falar! O Evangelho nos orienta para estarmos atentos a estas duas dimensões pastorais: 1) saber descansar, partilhar, restaurar as forças depois da missão; 2) estarmos atentos e ter compaixão das multidões que têm fome da palavra e fome de pão.